28 de dezembro de 2012

O sopro


            Nesse momento, a garota precisava mesmo era de vontade. Ela via tanta coisa ao seu redor que se desorientava. Um menino soprou um dente de leão e as várias partes voaram até que uma delas caiu em seu rosto. Sentiu esperança. Pensou que o sopro podia virar vento e a levar para bem longe daquilo tudo. Ela queria, pelo ar, voltar para o seu sonho.

            Pensou em letras, em música e em sorrisos. Imaginou muita coisa boa junta para se sentir melhor. Quis ser criança para crescer de novo, para se reinventar. Ela não suportava essa coisa de viver com pés no chão. A menina era teimosa, porque não aceitava o mundo.
            Sofreria, sabia, porque as pessoas tinham dessa coisa de não querer sonhar; então ela dormiu. Podia não ser naquela noite. Podia não ser naquele ano. Mas haveria o amanhã e o depois e o depois e o...
            Respirou fundo, querendo se inflar feito um balão. Precisava se encher de muito do tudo que a fez tão bem. A garota não parava mesmo de imaginar. 

1 comentários:

Lorrayne T. disse...

Tão delicado e simples. Muito bom (:

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