1 de outubro de 2011

Sonho estrelado

              A cor do céu mistura laranja, azul e branco. Fim de tarde. Olho para meus amigos, que se sentam em uma roda. Um deles dedilha o violão, sem de fato tocar música alguma. Outro segura entre os dedos uma garrafa de cerveja quente e pela metade. Não agüenta mais nada. Encara o horizonte e enxerga o que não consigo ver. A minha namorada está ao meu lado, segurando a minha mão. Viro-me para ela. Olhos nos olhos. Vermelho no vermelho. Rimos sem saber do que, em uma perfeita sincronia. Daniel, o que segura a garrafa, gargalha. “Vocês são muito loucos, caras.” Diz. Não entendo o porquê dele falar isso. Não havíamos feito nada. Sorrio em retorno, sem responder. O som é substituído para D’yer Mak’er. Balanço a cabeça ao ritmo da música. Minha namorada faz o mesmo. Toco em sua perna e ela acaricia a minha mão. Sinto seus lábios em meu pescoço. Fecho os olhos. Misto de sensações. Dentre elas, paz. Parece que o mundo é composto somente por nós quatro. Nada mais existe. Ela me puxa pela mão. Olho para o céu. Já é noite. Estrelas nos iluminam. Deixo-me levar. Ando, guiado por ela. Led Zeppelin vai sumindo ao fundo. Uma árvore nos esconde. Não devem nem ter notado a nossa falta. “Tô de cara.” Diz. Encaro-a sem entender. “Quero mais.” Ela apalpa meus bolsos e tira de lá um já bolado. Acende com o próprio isqueiro. Puxa forte, segura e me passa. Faço o mesmo. Acaba rápido. Não sei se é porque já estava de onda ou se a erva era pouca. O meu coração acelera, fico com vontade de rir. A garota estava engraçada. Tinha o cabelo bagunçado, usava a minha blusa GG do Metallica com jeans surrados e all star preto. Parecia uma delinqüente, embora fosse filhinha de papai. Eu era o mau caminho da história. O plebeu que pega a donzela. Clichê de filmes baratos. Dava certo pelo menos. Ela me bancava. Deitamos sobre a grama e olhamos as estrelas. Passo minha mão por dentro da sua blusa. Troco a vista do céu estrelado por seu rosto. Lábios nos lábios. As línguas movimentam-se em sincronia, assim como os corpos. Escuto o meu amigo tentando tocar Sweet Child O’ Mine no violão de maneira tosca e desafinada. Nem isso conseguia estragar. A noite não precisava de um fim.

1 comentários:

Renata Marcon disse...

D’yer Mak’er ♥ haha
Saudades Bella, vê se aparece!

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