30 de julho de 2010

Amores de infância

Eram apenas meninotes que achavam ter conhecimento de tudo da vida. Eles, que nunca haviam provado um mínimo beijo, sentavam-se em um banco da praça que tinha vista para a rua e olhavam até não poderem mais. Admiravam as moças solteiras que lá passavam e vez ou outra até arriscavam soltar um assobio, embora nem mesmo o assobio tivesse muita prática. Saia fraco, mas servia para pelo menos arrancar a atenção das garotas que passavam. Uma olhada era o bastante para fazer com que os músculos de seu coração batessem de forma rápida.
Era um amor infantil, mas saudável. Apaixonavam-se por uma e depois por outra em um curtíssimo intervalo de tempo. A paixão ficava secreta, mas os olhares os denunciavam. As moças, por serem mais velhas, apenas riam daquela paixão muda, achando apenas fofinho como se acha um neném fofo. E eles continuavam a sofrer por amor dia após dia. Cada dia uma menina diferente e uma fala não tão original assim.
- Quero me casar com ela, Lucas. Ela é linda demais.
- Põe linda nisso... Acho que também estou apaixonado.
Nem sequer ligavam por estarem apaixonados pela mesma moça. O ciúme, naquela época, não existia. A inocência, por sua vez, fazia-se onipresente.

2 comentários:

lorrayne t. disse...

Saudades dessa inocência de sentimentos. Belo texto!

autofágica disse...

Deu uma nostalgia imensa esse texto!
que belo!

:*

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