20 de outubro de 2009

Mal entendido

Quem nunca passou por um mal entendido? Alguns mal entendidos chegam a ser ridículos de tão idiotas. A maioria desse tipo de situação acaba com alguém sem graça ou alguém pedido desculpas. Mas não esse. Essa situação foi de certa forma boa para a vítima desse mal entendido. Falarei vítima para não falar que a pessoa é uma idiota e assim evitar uma situação constrangedora que mais tarde pode vir a virar um mal entendido.
Era uma das típicas excursões para um parque temático. Quem nunca foi para uma dessas? Legal, não? Todo aquele clima festivo desde o início da viagem que dura do início ao fim. As pessoas que viajam juntas, acabam se tornando amigas e o desejo de permanecerem em contato surge como algo natural.
A troca de celulares e de e-mails passa a fazer parte da rotina dos passeios turísticos e a troca de contatos passa a ser tão natural quanto o ato de acordar dia após dia e ir para o trabalho ou para a escola.
— Me passa o celular aí, dona.
Verônica de imediato se virou para encarar quem havia falado com ela. Era um sujeito mal encarado com olhos pequenos, uma boca deformada e uma pela espinhenta. Usava um boné do tipo que se comprava em camelô e suas roupas não eram nada combinadas, confirmando então qualquer suspeita sobre sua completa falta de senso de moda.
Verônica tentou não se concentrar na vontade de sair correndo. Não se lembrava em nada daquele homem no seu ônibus ou em seu grupo de turismo. Porém, ele com certeza devia estar incluído e sair correndo não seria uma boa forma de se fazer amigos.
— 88578675 — disse de uma forma pausada. Porém, o homem não anotou o número em lugar nenhum. Apenas ficou encarando-a de forma impaciente.
— O celular, dona — repetiu com o mesmo tom de voz fanhoso.
Verônica suspirou. Além de feio era lerdo. Aquele tipo de pessoa a deprimia profundamente.
— 88578675 — repetiu no mesmo ritmo pausado de antes.
Novamente, o homem não se moveu para anotar o número. Fez algo inacreditável, até. Virou as costas para Verônica e saiu andando com passos raivosos e bradando em tom audível.
— Esses turistas de hoje em dia...
Verônica ficou observando-o se afastar, incrédula. Que sujeito mau caráter! Como ousava fazer aquele tipo de coisa com ela?
— Quem esse cara pensa que é? — perguntou para a amiga que estava do seu lado e assistia a cena, trêmula.
— Acho... — disse controlando-se para não gaguejar — Acho que ele quis te assaltar.
Os olhos de Verônica se arregalaram e a boca se abriu um pouco em resposta ao comentário da amiga. Repassou mentalmente o ocorrido e viu, finalmente, que aquilo era realmente um assalto.
É, o mal entendido... O nosso tão querido mal entendido.

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