10 de janeiro de 2011

Amor de estação

            O verão é época de tudo, menos de ser inverno. Mas o que o que é ao certo inverno, afinal? Literalmente falando, seria a época do ano em que o sol deixa de bater forte naquela superfície, fazendo com que haja frio. No entanto, a literatura não é literal, então vamos ao sentido figurado. Neste, porém, tal estação seria a época “cinza”, ou seja, a que as pessoas ficam amargas, tristes, decepcionadas. É o tempo de desesperança e de desamor.
            Desta forma, o verão serve para as pessoas serem felizes. É a época em que um é mais gentil com o outro, afinal, quem seria indelicado quando o céu está azul e o sol está brilhando? Também é tempo de se divertir, viajar, rir e principalmente, amar.
 
            Os dois encontravam-se apenas no verão, quando aconteciam as viagens familiares. Os pais de ambos eram amigos, e devido à distância que sofriam na correria do ano, encontravam-se sempre no verão, para reviver os bons tempos. Naquelas viagens, os quatro adultos reviviam a época de adolescentes e riam-se, lembrando-se daqueles momentos.
            O menino de um dos casais e a filha do outro casal, no entanto, não achavam graça alguma da nostalgia, naturalmente. Afinal, os tempos antigos são descritos como tudo, menos como interessantes por duas crianças, e mais tarde, dois adolescentes.
            Encontraram-se pela primeira vez no verão de 2007. Julia tinha 11, e Lucas, 12. Devido à ausência de amizade, acabaram tendo que conversar um com o outro, por pressão dos pais, que queriam livrar-se das crianças por mais tempo que podiam. Como não tiveram escolha, acabaram amigos.
            No primeiro ano, nadaram até morrer. No segundo, porém, acabaram se afundando nos diversos jogos de videogame que o menino possuía. No terceiro, afundaram-se em livros e DVDs, viciados por seriados americanos.
            Foi no quarto ano que aconteceu. Naquele verão, acabaram fazendo outras amizades, e com isso, foram convidados para uma festa na casa de um dos condôminos. A moda naquela época era um famoso jogo de conseqüência. Ela acabou por escolher conseqüência, por desaviso dos outros, e o anfitrião acabou por fazer os dois se beijarem.
            Naquele ano, nada além disso. Mas no outro vieram mais e mais beijos, tornando-se uma espécie de rotina sigilosa. Os pais nada faziam ideia, alheios da vida amorosa dos meninos.
            Acontece que mais tarde os garotos cresceram a tal ponto que não viajaram mais com os pais. Cada um deles foi com seus amigos para um lugar especifico, e os pais continuaram a se encontrar. Mas a saudade naturalmente chegou. Ela perguntou por ele e ele perguntou por ela, e os encontros passaram a não ser só de verão, mas também de outras estações. O verão, no entanto, tornou-se especial, a época do ano em que os dois se reuniam para celebrar o verdadeiro amor.

1 comentários:

Jeniffer Haddad disse...

ah, que lindo. Porque eu não tenho uma história dessa na minha vida? u.u HSUHSUSHUS

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