23 de dezembro de 2010

Ser escritora

Eu acho engraçado quando admito que gosto de escrever. As pessoas arregalam os olhos, como se tal passatempo fosse coisa de outro mundo, e começam a perguntar várias coisas. Costumo falar que já escrevi quatro livros e elas ficam ainda mais maravilhadas. A primeira pergunta já é previsível "Já publicou algum?". Quando escuto tal dúvida, respiro fundo e explico a resposta negativa "Não gosto muito dos meus livros. Só do último que gostei e esse eu realmente vou publicar."

O mais engraçado de ser escritora, — mesmo nunca tendo ganhado nada para isso — é o glamour que as pessoas colocam na profissão. Acho que o mundo está tão abarrotado de engenheiros, médicos e profissões sem ócio criativo algum, que ser artista hoje em dia é algo anormal.

A grande questão é que não tem nada de glamouroso em escrever. Claro, eu amo o que faço e se não gostasse não teria mais de 200 postagens nesse blog e quatro livros escritos. Mas realmente tenho que me esforçar pra isso. Às vezes eu acordo com uma grande vontade de não fazer nada, mas mesmo assim tenho que me sentar à frente do computador e começar a digitar uma coisa qualquer, por mais que no final o resultado seja uma grande porcaria. Escrever cansa demais! Como diz meu pai, não existe essa coisa de inspiração. É 99% de transpiração e o restante de inspiração — clichê essa frase, eu sei.

Outro dia mesmo, eu estava conversando com uma amiga minha no msn. Estamos desenvolvendo o segundo projeto juntas nesse momento. A gente estava querendo dar o nome pro livro que estamos escrevendo, já que eu tenho nervoso de escrever uma coisa sem nome. Tudo o que saia de título era "Dupla infernal", "Caso infernal", "Trabalho infernal". Enfim, só títulos horríveis que não atrairiam leitor algum. Por fim, resolvemos deixar o nome do livro de lado e começamos a escrever o livro em si. Mas que trabalho! Demorei cerca de três horas para escrever QUATRO PÁGINAS. Quando estou com vontade faço isso em minutos. Mas acabei me destraindo com seriados, vídeos no youtube, orkut, twitter e blogs alheios. Acaba que no final não terminei o maldito conto.

E para conseguir leitor, então? Esse último livro que escrevi, o Almas&Cia, não foi lido nem por minha mãe! Foi até frustrante, sabia? Eu pedi para que ela lesse, e ela ficou enrolando sem parar, até que eu peguei o exemplar de volta e deixei-o no final da gaveta, onde todos os outros ficaram.

Bom, pela primeira vez na vida não sei como terminar um texto meu. Maravilha. Nem sei ao certo se esse tipo de confessionário caberia aqui, mas não estou a fim de postar em um dos meus blogs abandonados. Então que fique nesse mesmo.

Saudações literárias, um feliz natal e um excelente ano novo à todos os meus queridos leitores.

4 comentários:

Anônimo disse...

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Ary Neto disse...

Bom texto, parabéns :D

Amy disse...

éé .. sei como é.
apesar qe mesmo nao curtindo literatura e nem portugues eu gosto muito de escrever .. mas nada seriamente e sim deixando as cosias fluirem ^^
-
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http://amyfeelings.blogspot.com/
*-*

ascka disse...

Escrever não é dom, é castigo. Não consigo encontrar definição melhor para a arte literária.

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