20 de outubro de 2009

Mania de empregada

Verônica correu pela casa em busca da carta que havia recebido. Como podia ter a perdido? Ela nem seque a havia lido! Era a carta de seu marido, o mesmo havia embarcado em uma importante viagem a negócios e não voltaria tão cedo. Perder aquela carta o magoaria completamente.
Foi até o armário onde guardava seus livros e pela segunda vez o revirou em busca da carta perdida, mas nada encontrou. Somente contas já pagas e outras coisas. Encontrou tudo, menos a carta.
Foi então até o escritório de seu marido. O lugar era o único lugar que Verônica não entrava na casa por proibição do marido, mas teria que entrar naquele escritório. Talvez lá tivesse mais sorte. No entanto, suas expectativas estavam erradas. Não encontrou a carta que procurava.
Foi então para a sala e deixou-se cair no elegante sofá branco, exausta. Havia procurado durante a manhã inteira e não havia encontrado nada. Absolutamente nada. Não sabia mais onde procurar e também não sentia a menor vontade de fazer tal coisa.
Foi aí que escutou um barulho. A fechadura estava sendo aberta. Por um momento esqueceu-se que era a hora de sua empregada chegar, mas o esquecimento durou poucos segundos. Levantou-se rapidamente e se apressou para recebe-la. Talvez ela soubesse...
- Sabe onde se encontra a carta que meu marido escreveu? - disse Verônica, sem nem ao menos cumprimentar sua empregada.
Gisele olhou para ela um pouco confusa. Pareceu pensar por um momento e logo depois abriu um sorriso vitorioso.
- Sei sim! Eu guardei ela ontem. Está bem aqui...
Andou então até a gaveta onde ficavam os documentos de Verônica e pegou um envelope branco com um sorriso no rosto.
- Aqui está.
Verônica andou até a empregada, tentando esconder sua fúria. Já devia ter adivinhado. Empregadas SEMPRE enfiavam as coisas no primeiro lugar que viam. Frustrante.
- Obrigada - disse Verônica, trincando os dentes - Foi de grande ajuda.
Praticamente arrancou a carta da mão de Gisele e se sentou no sofá branco para ler a carta. Ela podia demitir Gisele, mas do que adiantaria? Todas as empregadas tinham aquela mania. A irritante mania de guardar as coisas em qualquer lugar.

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