O badalar da hora já não importava. Sabia-se somente do dia ou da noite. O claro ia dando lugar ao escuro, formando um crepúsculo que emprestava o laranja para toda a negritude. Lá em cima, a lua era chamada pelas estrelas. E assim como ela, outros seres também se amontoavam. A fogueira pronta, enquanto tochas eram acesas. Lá longe, uma coruja soltou o sinal. Já era hora de ela começar a voar por aí, oculta em árvores.
5 de janeiro de 2015
21 de agosto de 2014
Retirante
Fui pra um retiro
Retirar-me do mundo
Conversei com pedras e seres
Vitória Régia, Sabiá e Samambaia
Tantos nomes tão bonitos...
Retira-me a fala
Retira-me o pensamento
Quero um retiro completo
Arranha Céu
Calaram-me com arranha céus
Substituíram meus pés por rodas
Já não sei mais andar ou escrever
30 de julho de 2014
A história de Pequim
Quando os olhos dizem, já não há mais o que
mentir. Sentam-se. Conversam. Um a um, vão desvendando os pontos, as fraquezas,
os passados. Dizem que ambos podem ficar anos sem se falar, mas quando existe o
conto não há volta. Jogam frases, risos e histórias. Constroem, enfim, os
enredos para contar, quando se conhecem uma vez mais, após anos afastados, e
assim se reconhecem.
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